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Meu trabalho - desenho / foto/ gravuras / performance/ vídeo
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O desenho e a pintura, perdendo sua antiga função como únicos meios de representação, passam a funcionar como uma escrita gestual capaz de fundir corpo e mente num mundo de automação crescente. Acredito que a sobrevivência do desenho como experimento e ação torna-se hoje necessária e urgente.


Mas comecei minha trajetória no final dos anos setenta com desenhos figurativos e alegóricos, consequência da ditadura no Brasil quando falávamos por metáforas. Na década de oitenta, morando em Madri, a linha foi se transformado em mancha através da paisagem que gradualmente me levou à abstração.


Gradualmente, abandono a pintura por um desenho sem contorno que se torna textura de traços ou pontos mais ou menos densas. Com essa caligrafia, retomo materiais simples como lápis de cor, grafite, pastéis ou canetinhas. Quando criança, já costumava preencher pequenos cadernos com rabiscos obsessivos, origem remota dos traços minúsculos atuais com canetas Bic que, contrariando a lógica habitual, cobrem superfícies de grande formato.


Estas texturas permitem-me uma espécie de véu, unindo as diversas áreas da composição e formando diferentes campos tonais. O tamanho e o formato quadrado do papel abraçam a envergadura de meu corpo e não condicionam o olhar nem para o retrato nem para a paisagem. Embora meus trabalhos não sejam consequência de uma observação direta da natureza, o ambiente reflete-se inconscientemente sobre tudo o que faço.


Na França, trabalhei no antigo ateliê de Camille Pissarro em Eragny-sur-Epte, ao lado de onde mantenho também um trabalho há 20 anos, quando estou na França. Suas dimensões me permitiram aumentar o tamanho dos suportes e, sob a influência da paisagem Vexin, na Normandia, o trabalho tornou-se cada vez mais abstrato.


Aos poucos, individualmente ou no grupo Atelier 43 que criei em 2012, combino diferentes linguagens. Desenho sobre papel impresso como nas séries Anagramas, Ressonâncias ou Quatro estações. Trata-se da sobreposição de desenho sobre gravura em metal fotografada, manipulada digitalmente, ampliada e impressa; processo híbrido centrado no desenho.


Desde 2014, foco-me mais especialmente na fusão entre desenho, performance e vídeo. A vídeoperformance dispensa a ação em tempo real diante do público. O ateliê é o palco. Tudo é pensados para um desenho-performance como, por exemplo, o contraste entre a roupa preta e o cenário branco do papel. O ato de desenhar e o vídeo são implicados num só processo, se inserem no tempo, levam em conta o ritmo, a velocidade e a duração. Experimento novas maneiras de pensar as ações e de gravá-las, sofisticando as montagem afim de que os vídeos não sejam apenas o registro do trabalho no ateliê mas uma linguagem à parte.
 

A partir de 2018/19, passo a realizar uma série de animações, performances e experimentações em parceria com coreógrafos e músicos como Vagner Cunha em Porto Alegre, Januibe Tejera ou Aurélien Richard em Paris.


O desenho abre-se cada vez mais a novos suportes.