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Teresa Poester


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DESENHO DE TERESA

Ao ver o desenho de Teresa Poester o que em primeiro lugar me chama atenção é o gesto - o registro do gesto na matéria. Ao assistir ela desenhar, o que fica mais evidente é o contato do seu corpo com o suporte, lembrando uma batalha ou uma luta livre, onde os primeiros movimentos compulsivos / nervosos surgem numa catarse, e aos poucos a harmonia vai aparecendo.

De um emaranhado de riscos / rasgos / frestas começam a nascer paisagens, lembrando lugares nunca antes visitados.
Janelas para uma outra realidade.
Grades que impressionantemente não aprisionam e sim libertam.

Hoje fiquei encantado com o último desenho que Teresa fez: um nó cego de linhas feitas de grafite com sete ou oito manchas lilases. E ao olhar pela varanda do seu atelier no terceiro andar de um edifício da Rua Fernandes Vieira aqui em Porto Alegre, vi as copas floridas dos jacarandás, e me dei conta que o desenho abstrato de Teresa figura a realidade.

Antônio Augusto Bueno,
Artista Plástico, integrante do grupo de desenho Passos Perdidos
Texto para a exposição Sala dos Passos Perdidos
Galeria Subterrânea, Porto Alegre, 2006