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Teresa Poester


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10.357 km em linha

O documentário talvez seja o gênero cinematográfico que mais se aproxima da ópera, ao oferecer ao espectador uma posição quase que de participante da ação, nos colocando em cena junto aos protagonistas. No curta 10.357 km em linha, a diretora Niura Borges consegue oferecer essa posição privilegiada ao espectador, que se torna participante do processo íntimo de criação do atelier da artista Teresa Poester.

O filme aborda ume série de trabalhos em que a artista usa como material um meio não convencional às artes visuais: a prosaica caneta bic. O título faz referência ao tamanho desse percurso traçado em linhas finas, caligrafias de sutis tonalidades de azul, onde a artista cria nervosas tramas em papel de grandes dimensões. Dessas linhas finas surgem imagens surpreendentes, paisagens incomuns, em um desenho obsessivo que nasce destes pequenos traços e que cresce em gestos ampliados. Pela escala, e através da lente da câmera, o observador acompanha desde o brotar até o florescer desses enormes jardins imaginários, como bem se refere o cineasta Jorge Furtado em depoimento que faz parte do filme.

Teresa Poester é uma apaixonada pelo desenho. Professora há alguns anos do Instituto de Artes da UFRGS, ela é também a coordenadora de um grupo denominado Atelier D 43, formado por artistas que discutem o desenho como meio privilegiado que percorre diferentes linguagens plásticas, como a pintura, a fotografia, e a imagem em movimento. Nesse sentido, o documentário pode ser visto como uma parte integrante do processo: a imagem- vídeo que trata do desenho e acaba também se transformando um desenho da diretora em colaboração com a artista. Afinal, as escolhas fazem parte de um traçado em contínua construção de sentido no roteiro.

O filme, que tem também depoimentos de Icléia Cattani, Armindo Trevisan, Marilice Corona e Paula Ramos, entre outros, é o primeiro de uma série de documentários de um projeto da Galeria Mamute, de Porto Alegre, que tem o mérito de abrir o atelier de artistas e retratar seu processo de criação, processo esse que muitas vezes permanece inacessível ao público em geral.

Revista Voto – 2013