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Teresa Poester


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Desenhos por Teresa Poester

A linha é pura abstração, entretanto existem poucos desenhistas que exploram a linha como fim em si. O movimento que origina uma linha é feito de um ponto que sucede o anterior, passo a passo, rumo ao desconhecido. Numa época de automação onde o corpo é cada vez menos solicitado como instrumento de trabalho, a sobrevivência do desenho – como escritura do corpo – representa uma tomada de posição urgente e necessária.

Meu percurso começou há muito tempo com desenhos figurativos e alegóricos, consequência da ditadura no Brasil, quando os artistas se expressavam por metáforas. Mais tarde, em Madri, o trabalho se transforma em pintura através do tema da paisagem que o conduz à abstração. A partir dos anos 2000, retorno a um desenho diferente do inicial. O trabalho é gestual, composto de gestos de texturas e não amais de contornos. Atualmente combina diferentes linguagens e tecnologias contemporâneos se abrindo a novos suportes.

Durante essa época, trabalhei no antigo atelier de Camile Pissarro em Eragny sur Epte, na Normandia, região onde ainda mantenho minhas atividades na França. Suas dimensões me permitiram aumentar o tamanho dos suportes. Os grandes suportes acolhem e abraçam o corpo inteiro que desenha. Os formatos são em geral quadrados para não condicionar o olhar nem ao retrato nem à paisagem. Sob a influência da paisagem do Vexin, o trabalho se torna abstrato. Abandonei amancha pela linha, caminho de um ponto no tempo e no espaço, tradução mais fiel do gesto e do movimento.
A partir deste momento a ação de desenhar se torna protagonista.
As linhas de grafite, lápis de cor ou pastel se superpõem e funcionam como texturas, campos de cor, e não como contorno. Os pequenos gestos de caneta Bic contrastam intencionalmente com as grandes dimensões do papel.

Mais recentemente, eu desenho sobre papel impresso como na instalação Anagramas. Trata-se de superpor diferentes técnicas por camadas. São gravuras em metal fotografadas, manipuladas digitalmente e impressas em grandes formatos que servem como suporte. O primeiro gesto é o da gravura e o último, o do desenho diretamente sobre o suporte impresso.
Mais recentemente eu desenho sobre papel impresso como sobre a instalação Anagramas. Trata-se de uma superposição de diferentes técnicas por camadas. São gravuras em metal fotografadas, manipuladas digitalmente e impressas em grande formato. O primeiro gesto é o da gravura e o ultimo o do desenho diretamente sobre o suporte.
Atualmente, no Brasil ou na França, individualmente ou com os dois jovens do Atelier D43, exploro mais sistematicamente um desenho hibrido. O processo individual influencia e é influenciado pelo coletivo e combina desenho com gravura, fotografia, manipulação digital, livro-objeto, performance e vídeo.