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Teresa Poester


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Teresa Poester
10.357 km em linha

mostra de desenhos a caneta bic
e lançamento do livro-objeto Résonances
Museu do Trabalho
em colaboração com a Galeria Bolsa de Arte
Porto Alegre, outubro de 2009


Teresa Poester
por ela mesma

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Quando comecei a expor em Porto Alegre em 1978,
procurava traduzir a representação alegórica de personagens
sob a influência da situação do Brasil naquela época,
da pop e da arte naif.
Depois de um longo período morando na Espanha, comecei a pintar e
a pintar paisagens que se tornaram cada vez mais abstratas.
Aos poucos compreendi que
não me interessava mais o assunto como eu estava pintando.

As pinturas da série paisagens deram origem às da série janelas,
enquadramento das paisagens, numa abstração mais geométrica,
que por sua vez se transformaramna série das grades,
repetição das janelas ortogonais.

Durante esse período fui morar na França e
a pintura retornou gradativamente ao desenho.
Embora os materiais gráficos sejam os mesmos dos
desenhos do início, o desenho se afasta da figuração para se tornar
o registro de um gesto rápido como uma luta de esgrima.
Esses gestos repetitivos se fecham progressivamente
numa trama opressiva da qual eu parecia não poder sair.

Aos poucos compreendi que os desenhos das grades
tinham ressonância com as árvores e os galhos secos
no inverno da paisagem onde habito periodicamente na França,
em contato direto com a natureza.
A luta anterior se torna uma dança,
os traços retos e marcados se transformam em linhas orgânicas.
Desenhos que evocam a vegetação morta do inverno
se transformam em desenhos de verão.

Depois de de minha dissertação de
doutorado - Fronteiras da Paisagem: janelas e grades -
procuro mostrar que a paisagem propicia o
processo de abstração na pintura.

Esse trabalho parte da pintura para retornar ao desenho.
A linha, segundo minhas constatações,
traduz mais fielmente o gesto do que a mancha.

Linha é movimento,
seqüência de um ponto que se desloca no tempo e no espaço.
Cores e massas são progressivamente dispensadas.

A exposição 10.357 km em linha que
agora apresento no Museu do Trabalho,
é depuração do desenho utilizando materiais os mais simples e
ao alcance da mão, materiais de escrita, como é o lápis grafite e,
agora, a caneta esferográfica.

 

Porto Alegre, 2009